08
Nov
08

José de Carlos Drummond de Andrade

José

E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, você?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama, protesta?

e agora, José?

Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?

E agora, José?

Sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio – e agora?

Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?

Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse…

Mas você não morre,

você é duro, José!

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José!

José, para onde?

Carlos Drummond de Andrade

19
Out
08

The Story of Lily

Moriarty – Private Lily

19
Out
08

The Universal Declaration of Human Rights

14
Out
08

Ithaka by Constantine P. Cavafy

As you set out for Ithaka
hope your road is a long one,
full of adventure, full of discovery.
Laistrygonians, Cyclops,
angry Poseidon-don’t be afraid of them:
you’ll never find things like that on your way
as long as you keep your thoughts raised high,
as long as a rare excitement
stirs your spirit and your body.
Laistrygonians, Cyclops,
wild Poseidon-you won’t encounter them
unless you bring them along inside your soul,
unless your soul sets them up in front of you.
Hope your road is a long one.
May there be many summer mornings when,
with what pleasure, what joy,
you enter harbors you’re seeing for the first time;
may you stop at Phoenician trading stations
to buy fine things,
mother of pearl and coral, amber and ebony,
sensual perfume of every kind-
as many sensual perfumes as you can;
and may you visit many Egyptian cities
to learn and go on learning from their scholars.

Keep Ithaka always in your mind.
Arriving there is what you’re destined for.
But don’t hurry the journey at all.
Better if it lasts for years,
so you’re old by the time you reach the island,
wealthy with all you’ve gained on the way,
not expecting Ithaka to make you rich.
Ithaka gave you the marvelous journey.
Without her you wouldn’t have set out.
She has nothing left to give you now.

And if you find her poor, Ithaka won’t have fooled you.
Wise as you will have become, so full of experience,
you’ll have understood by then what these Ithakas mean.
12
Out
08

If i Were To Truly Live by Kicesie

Kicesie Webpage

27
Set
08

Se nós desistirmos eles também desistem

A publicidade da quercus que já deu a volta ao mundo

27
Set
08

Lake Of Udaipur – Le Tone

22
Set
08

Turquia

more about “Ancient Anatolia on Vimeo“, posted with vodpod

06
Abr
08

Castanhas

boas e quentinhas

em ponto caramelo

a estalar nos dentes

e a queimar a língua

a aquecer os pulmões de e a laringe

a elevar a alma

aos píncaros do inferno

libertando o anjo que existe

do diabo dentro de ti

que persegue numa luta imparável

entre o teu lado lunar

e o sol nascente que as almas salvas

fingem que vivem

na salvação que nunca atingem mas que

inconscientemente nunca a procuraram

na ilusão de que um dia

se reencontrem com a sua estrada

onde já um dia vaguearam

se perderam em busca de uma resposta para a pergunta sem questão

mas que ainda só persiste nas mentes daqueles

que sentem a dor sem razão

e que têm medo do que possa acontecer num lugar

estranho onde o prazer s confunde com o pecado e se transforma

num vórtice de emoções onde o que importe é

o encontrar o seu eu sem mascaras nem maquiagem

com o máximo de naturalidade que ainda assim

o assombra com o medo de se enfrentar

numa das mais brutais batalhas épicas

entre os seu medos e os seu desejos

onde o vencedor está oculto por

entre as rochas que constroem o abismo onde nas suas profundezas se encontra

as razoes pelas quais se mantem vivo e nele não permanece

a vontade de resistir mas apenas de fugir

de uma atmosfera incandescentes saturada de ciclos intermináveis de mentiras que

o levam nas ilusões

e nos feitiços de uma sociedade

apodrecida e suja que se disfarça de utopia, onde todos os homens se julgam livres mas não passam de escravos

das próprias leis que defendem, mas não sabem porquê

apenas sabem k o medo maior do que a sua vontade de mudar

é o apontar do dedo daqueles que mais amam, num gesto desesperado

escondem-se atrás de fatos pintados de cinzento e preto e temem pela solidão por serem diferentes não sabendo que são iguais aos outros por dentro com os mesmos medos, os mesmos desejos, a mesma vontade e ficam eternamente presos ao vazio das regras perdidos

até que uma voz irreverente e destemida, sem medo da diferença

se despe do seu fato cinzento e preto e foge da cidade utopica e regressa a realidade, ao mundo natural onde se encontra com a natureza, a sua natureza e ouve pela primeira vez o seu instinto animal que pulsa dentro dele e descobre que era isso que o fazia sentir aprisionado porque

o instinto animal é algo que nunca é racional e como tal pode ser bruto, medonho ou injusto

ou a diferença de saberemos o que somos e de onde vem a nossa essência, coisa que as pessoas da cidade utópica nunca o iram saber limitando-se a existir em vez de viver

eTal com colaboração de Psyco

06
Abr
08

O Mundo segundo os americanos

Os Dealema tem uma boa música sobre a ignorância no seu ultimo álbum “V Imperio”

Os Dealema vão estar no dia 26 de Abril ao Vivo no São Mamede em Guimarães




 

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